Restrições linguísticas na palatalização do /s/ pós-vocálico seguido de [t] ou [ʧ] na fala de Caravelas – Bahia

Jares Gomes Lima, Maria Marta Pereira Scherre

Resumo


Neste texto, apresentamos generalizações sobre efeitos linguísticos na realização alveopalatal [ʃ] ou alveolar [s] do /S/ pós-vocálico seguido de [t] ou [ʧ] na fala de 25 falantes de Caravelas-BA, estratificados pelo sexo, faixa etária e escolarização. A análise foi feita à luz da Teoria da Variação e Mudança Linguística (LABOV, 2008 [1972]; WEINREICH, LABOV & HERZOG, 2006 [1968]). Para o tratamento estatístico dos 1189 dados variáveis, usamos o GoldVarb X (SANKOFF, TAGLIAMONTE & SMITH, 2005). A primeira restrição estatisticamente significativa é a posição do /S/ na palavra, com a posição medial favorecendo a palatalização. A segunda é o contexto vocálico antecedente, em que a palatalização é favorecida pelos traços [+posterior] e [+alto]: o efeito mais forte é da vogal [u]. A posteriorização é o traço de maior influência, paralelamente ao efeito da vogal alta anterior [i]. Portanto, quanto mais recuada e mais alta a língua na vogal antecedente, maior a chance da realização alveopalatal. A terceira restrição estatisticamente significativa é o contexto consonantal seguinte, em que a alveopalatal é favorecida pela africada alveopalatal [ʧ] e inibida pela oclusiva alveolar [t]. Desse modo, propriedades de segmentos precedentes e seguintes evidenciam assimilação progressiva e regressiva, respectivamente, caracterizando um fenômeno linguístico regular.

Palavras-chave


Variação linguística; Palatalização; Fala Caravelense; Português Brasileiro

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DOI: https://doi.org/10.18309/anp.v1i45.1126

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