Considerações sobre a categoria de gênero gramatical em Mehináku (Arawak)
DOI:
https://doi.org/10.18309/ranpoll.v57.2054Palavras-chave:
gênero gramatical, Língua Mehináku, Línguas ArawakResumo
Neste artigo, traçamos algumas considerações a respeito da categoria de gênero em Mehináku. Embora estudos adicionais precisem ser feitos para compreender mais profundamente o comportamento dessa classe na língua, a pesquisa evidencia que a língua Mehináku estratifica o léxico em dois subgrupos, com base em critérios semânticos como animacidade e humanidade: a dos nomes com traços [+animado, +humano] e a dos nomes com traços [+animado, -humano]. Os nomes pertencentes ao primeiro grupo exigem marcação morfológica, apresentando morfemas tanto para o feminino quanto para o masculino humanos. Os morfemas -hɨ ‘masculino’ e -tu ‘feminino’, por exemplo, são os únicos para os quais se atesta duas formas gramaticalmente distintas para gênero em Mehináku. Os demais nomes, quando atribuída à caracterização de gênero, são apenas marcados morfologicamente para o feminino, e essa oposição, portanto, se perde. Esses nomes são marcados com os sufixos -neʂu e -lu. Por outro lado, os nomes com características -humanas, do segundo grupo, não recebem marcação morfológica, sendo a diferença de gênero realizada apenas por meio de itens lexicais representativos de gênero biológico na língua, como as palavras enɨʂa ‘homem/macho’ e tɨneʂu ‘mulher/fêmea’.
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