Crítica decolonial ao ‘Marco referencial de competências em inteligência artificial para professores’ da UNESCO: políticas linguísticas algorítmicas e desafios do sul global

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18309/ranpoll.v57.2074

Palavras-chave:

inteligência artificial, colonialidade, necroalgoritmização, políticas linguísticas críticas, Sul Global

Resumo

Neste artigo, realizo uma leitura crítica do Marco Referencial de Competências em Inteligência Artificial para Professores, publicado pela UNESCO em 2025. A análise articula as teorias da colonialidade (Quijano, 2000a; Mignolo, 2003), as políticas linguísticas críticas (Menken; García, 2010) e os estudos sobre necroalgoritmização (Araújo, 2025a). Argumento que o reconhecimento da agência docente e a defesa de usos éticos da IA conferem ao documento um caráter progressista, embora sua formulação permaneça vinculada à gramática da modernidade e reproduza epistemologias eurocêntricas. A pedagogia crítica e centrada no humano proposta pela UNESCO deixa sem exame as assimetrias de poder constitutivas da colonialidade digital, expressas no extrativismo de dados, no controle algorítmico e na exclusão de epistemologias do Sul Global. Demonstro que o documento atua como política linguística algorítmica ao prescrever competências e invisibilizar práticas translíngues e saberes situados. A adoção de padrões universais, entre eles o GDPR europeu, e o silêncio sobre o poder das Big Techs podem reforçar epistemicídios digitais e restringir ecologias plurais de saberes. A leitura decolonial sustenta, por fim, a urgência de políticas insurgentes capazes de disputar sentidos, linguagens e reexistências no campo educacional.

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Biografia do Autor

Júlio Araújo, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, CE, Brasil

Possui graduação em Letras Vernáculas pela Universidade Federal do Acre (2000), mestrado em Linguística pela Universidade Federal do Ceará (2003) e doutorado em Linguística pela Universidade Federal do Ceará (2006). Fez pós-doutorado em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais (2012). Atualmente é Professor Associado no Departamento de Letras Vernáculas da Universidade Federal do Ceará. Coordena o grupo de pesquisa em Discursos e Digitalidades (DIGITAL). Atua na área de Linguística Aplicada em interface com Pragmática e as Teorias Críticas do Discurso. À luz dessa interface estuda as relações entre linguagem e tecnologia digital, com especial atenção aos seguintes temas: Fake News, discurso de ódio, gêneros textuais digitais, letramentos digitais críticos, novos letramentos, ensino remoto e EaD. Foi vice-presidente da Associação de Linguística Aplicada do Brasil (ALAB) no biênio 2009-2011 e vice-presidente da Associação Brasileira de Estudos sobre Hipertexto e Tecnologia Educacional (ABEHTE) no biênio 2009-2011. Foi coordenador do GT de Linguagem e Tecnologias da ANPOLL no biênio 2012-2014 e foi membro dos conselhos consultivos da ALAB e da ABEHTE.

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Publicado

2026-10-06

Como Citar

Araújo, J. (2026). Crítica decolonial ao ‘Marco referencial de competências em inteligência artificial para professores’ da UNESCO: políticas linguísticas algorítmicas e desafios do sul global. Revista Da Anpoll, 57, e2074. https://doi.org/10.18309/ranpoll.v57.2074

Edição

Seção

Dossiê: Políticas linguísticas nas escolas do Sul Global