A morfologia dos modais:

notas sobre a caracterização morfológica de dever, poder e ter que/de

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18309/ranpoll.v52i1.1472

Palavras-chave:

Morfologia, Modais, Semântica, Sintaxe, Verbos defectivos

Resumo

Este artigo discute problemas e comportamentos morfológicos dos verbos modais do português brasileiro dever, poder e ter que/de. Visando a contribuir com os estudos sobre modalidade no português, que abordam questões semânticas e sintáticas, este artigo discute propriedades especificamente morfológicas dos verbos modais, como a ausência de certas formas flexionais, a não composicionalidade semântica no pretérito imperfeito, categoria verbal modal versus lexical e a constituência e identidade estrutural de ter que e ter de. Embora algumas questões sejam especulativas e/ou permaneceram embrionárias, o presente artigo propõe uma nova maneira de formular certas questões morfossintáticas e morfossemânticas para o estudo dos modais.

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Biografia do Autor

Maurício Resende, Universidade Estadual de São Paulo, São Paulo, São Paulo, Brasil

Atualmente pós-doutorando em Linguística pela Universidade de São Paulo (USP), é doutor em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), mestre em Linguística pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), bacharel em Linguística e licenciado em Letras Português pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Tem experiência no ensino de Português como Segunda Língua e no ensino de Latim e atua também como tradutor técnico inglês-português na área de Linguística. Além disso, tem interesse por teoria e análise linguística, trabalhando com o modelo da Morfologia Distribuída e com as ferramentas da Semântica Formal. Seus principais temas de pesquisa são: processos de formação de palavras, modais, aquisição de morfologia, linguística diacrônica do português.

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Publicado

2021-05-31

Como Citar

Resende, M. (2021). A morfologia dos modais:: notas sobre a caracterização morfológica de dever, poder e ter que/de. Revista Da Anpoll, 52(1), 236–256. https://doi.org/10.18309/ranpoll.v52i1.1472

Edição

Seção

Estudos Linguísticos (2021)