Oralidade e formação docente

o caso das microaulas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18309/ranpoll.v53i1.1616

Palavras-chave:

Formação docente, Letramento acadêmico, Microaulas, Oralidade

Resumo

Este estudo propõe refletir sobre o lugar da oralidade na formação docente, focalizando a produção de breves episódios de práticas de ensino – chamados de microaulas orais – por estudantes de curso de graduação em Letras. A hipótese é de que os processos de formação inicial para a docência constituem-se pela apropriação de gêneros textuais cuja incorporação tanto permite certo exercício do trabalho de ensino pelas estudantes, quanto subsidia o incremento de suas práticas de letramento. Do ponto de vista teórico e metodológico, a abordagem das microaulas orais como gênero textual da formação docente convoca uma dupla perspectiva (didática e interacional), tomando por base a noção de gesto didático como dispositivo analítico. A descrição e análise de uma microaula em sua configuração composicional global e de alguns recursos textuais implicados em sua formulação permitem levantar elementos para a compreensão dos modos como as estudantes representam a ação central de seu futuro trabalho  – a experiência de ensinar.

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Biografia do Autor

Sandoval Nonato, Universidade de São Paulo, São Paulo, São Paulo, Brasil

Doutor em Linguística (Unicamp).

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Publicado

2022-04-30

Como Citar

Nonato, S. (2022). Oralidade e formação docente: o caso das microaulas . Revista Da Anpoll, 53(1), 35–53. https://doi.org/10.18309/ranpoll.v53i1.1616

Edição

Seção

Estudos Linguísticos (2022)