Os sentidos de surdo e surdez em uma HQ da Turma da Mônica
DOI:
https://doi.org/10.18309/ranpoll.v57.2018Palavras-chave:
História em quadrinhos, surdez, pré-construídoResumo
Propomos, neste artigo, uma análise discursiva da história em quadrinhos (HQ) Humberto em: o falante, uma HQ presente na edição número 116 da revista “Cebolinha”, originalmente publicada em 1982. Com esta análise, buscamos compreender que sentidos de surdo e surdez são produzidos e postos em circulação na/por essa HQ. Para tanto, utilizamo-nos do dispositivo teórico-metodológico da Análise de Discurso materialista, tendo Michel Pêcheux e Eni Orlandi como principais teóricos que embasam esse trabalho. A partir da análise, pudemos explicitar o modo como já-ditos, isto é, pré-construídos acerca dos surdos e da surdez ressoam na HQ analisada, bem como o modo como essa HQ é atravessada por um discurso religioso. Explicitamos, ainda, o modo como na/pela HQ (re)produz-se um discurso que compreende a surdez como um impeditivo à felicidade e à capacidade de interação das pessoas surdas ao tempo que significa a capacidade de oralizar como o melhor (e único?) método possível a esses sujeitos, numa reprodução de pré-construídos já cristalizados no imaginário social sobre os surdos.
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